Caríssimos irmãos e colaboradores leigos,
No dia em que a efusão do Espírito Santo formou a Igreja, Sacramento de unidade para todos os povos, também nós rezamos: manda, Senhor, o Espírito nos nossos corações, enche a nossa Congregação de alegria do Espírito, para que cresça no teu amor e se difunda.
O Espírito que suscitou na Igreja a nossa Congregação encontrou total disponibilidade e abertura de coração nos nossos santos Padres Fundadores, Pe Antonio e Pe Marcos Cavanis. Eles seguiram as suas inspirações e percorreram caminhos que jamais tinham imaginado que iam percorrer. Dóceis à orientação do Espírito, souberam ser criativos e, na sua dimensão profética, interpretaram os sinais dos tempos e responderam às necessidades e expectativas dos meninos e jovens do seu tempo.
Também hoje a revitalização da nossa Congregação e autêntica criatividade em viver o carisma vem do Espírito, “que é Senhor e dá a vida”. Não somos nós, pois, quem hoje reinventa a vida religiosa ou o nosso carisma específico. A vida religiosa, com os seus carismas, foi inventada, se assim se pode dizer, pelo Espírito.
Em preparação ao 33° Capítulo Geral repitamos com insistência: Manda, Senhor, o teu Espírito e renovarás a nossa Congregação! Mais que os nossos projetos e os nossos esforços faz-se mister a total disponibilidade e docilidade à ação do Espírito. Não se trata de um convite à inércia e à resignação. Pelo contrário, trata-se de um convite para haja um ativo esforço em viver com intensidade o que Deus escolhe e estar atentos às indicações que o Espírito dá hoje à nossa Congregação. O Espírito continua a soprar em nossa Congregação abrindo-a às novas dimensões evangélicas, obrigando todos nós, religiosos e leigos, a ficar com uma constante atitude de disponibilidade, de atenta escuta da sua palavra, e de generosidade operativa na caridade.
Propusemos como tema principal do nosso próximo Capítulo a fraternidade porque estamos convencidos de que um dos maiores desafios da vida religiosa de hoje para compreender a sua missão na Igreja e no mundo è, de fato, exatamente a comunhão. Além disso, nossa vida pode ter sentido para os outros, somente quando as nossas comunidades são animadas pelo Espírito e nós vivemos, nos movemos e somos na caridade e com caridade. Somente assim seremos “escolas de caridade” e “casa e escola de comunhão”.
Em várias ocasiões ouvi pessoas de fora fazer elogios a respeito da caridade que reina entre nós, mas muitas vezes ouvi as nossas comunidades lamentarem-se e, em tom de desânimo e de resignação, afirmarem: entre nós não existe caridade porque existem contrastes, divisões, pluralidade de visões!
Talvez tenhamos uma concepção idílica da caridade, que pode ser traduzida no canto ecce quam bonum et jucundum habitare fratres in unum. Mas, a caridade não é tranqüilidade ou sossego, ao invés, é superação dos conflitos, é uma meta a ser atingida, é esforço para se viver dia após dia.
São Paulo mostra-nos o esforço que devemos fazer para vivera a caridade quando escreve a Carta aos Efésios: “Exorto-vos eu, prisioneiro do Senhor, a comportar-vos de maneira digna da vocação que recebestes, com toda humildade, mansidão e paciência, suportando-vos mutuamente com amor, buscando conservar a unidade do espírito por meio do vínculo da paz” (Ef.4,1-3).
A caridade é esforço da nossa parte e ao mesmo tempo é dom do Espírito; é uma busca contínua que contrasta com as inevitáveis divisões, oposições e encontra sempre o modo de remendar, de curar e reconduzir à unidade. A caridade jamais desanima porque se renova cada dia e é fonte de vida dentro da comunidade.
Quando nos iludimos de ter alcançado certo grau de caridade, pouco tempo depois começa desmoronar a união que com dificuldade fora criada na comunidade. Isto porque a caridade nesta terra não se conquista completamente, estamos sempre a caminho em direção à meta. No caminho vivemos momentos fáceis, que nos deixam satisfeitos, e momentos difíceis nos quais sentimos o cansaço, o desânimo, o peso dos anos, o sofrimento da doença física ou moral; chegamos até a cansar-nos de sermos bons.
A caridade é conquista, é luta sem trégua, pois o Senhor não veio trazer a paz sobre a terra (cf Mt 10,14), mas o fogo (cf. Lc. 12,49). E, para que o fogo da caridade arda no nosso coração, devemos vivê-la com empenho cada dia, com a força do Espírito que nos ensina tudo e recorda-nos aquilo que Jesus nos disse (cf Gv 14, 26) e particularmente o mandamento novo: “como eu vos amei, assim também amai-vos uns aos outros. Nisto todos saberão que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns pelos outros” (Jo. 13, 34-35).
A Virgem Santa, esposa do Espírito Santo, que estava presente com os Apóstolos no Cenáculo no alvorecer da Igreja nascente e que sempre acompanhou a nossa Congregação ajudando a resolver tantos problemas e tantas dificuldades, ajude-nos a viver um novo Pentecostes, a fim de que, na força do Espírito, tenhamos a coragem de testemunhar com a vida, com as palavras e com as obras, a ressurreição de Jesus, ápice do amor de Deus pelo homem.
Uma cordial saudação e um abraço na caridade de Cristo e na fraternidade de Antonio e Marcos Cavanis.
Roma, 25 de maio 2007.
Pe Pietro Fietta -
Superior Geral
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